7.9.08

Faz-me lembrar aqueles verões no sul de França.


Aqueles que ainda lá não passei.

















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- Say, do you have enough room in your pockets



for all of those dreams?



- Well yes I do, sir. You see, I'm like a kangaroo. And my entire body is a pocket for the million dreams I dream on a daily basis.

6.9.08

Ri.

Chora.

Agora diz qualquer coisa como se o sentisses mesmo.
Recita um poema qualquer, como se fosse água a ferver que te escorrega pela garganta abaixo, queima.
Chá de
jasmim. Acabadinho de fazer.

Não te esqueças da pontuação.

Quando for vírgula, franze ligeiramente o sobrolho.

No ponto final, deixa que o teu olhar desamparado faça tombar-me o vestido aos pés. Ele tem um cair bonito. Fica-lhe bem.

E a ti fica-te bem seres tão humano.

[Fica-te bem e não sai particularmente caro ao bolso do comum espectador.]

1.9.08








Pequeno



grande
conto de fadas.



Quero que sejas morada dos meus sonhos.

31.8.08

ler aquelas palavras outra vez.
todos os dias.

para me lembrar que faz sentido.

(mas se faz mesmo, porque é que dura tão pouco tempo senti-lo?)

27.8.08

será que vai começar tudo outra vez?

será que vamos ter outro primeiro dia
(como aquele primeiro dia),
um novo ciclo que feche o ponto de chegada no ponto de partida
e que os funda e confunda num último desejo de voltar atrás
e fazer tudo diferente?
mas não.
não poderia ter sido de outra maneira.
se pudesse,
teria sido.
mas outras teriam sido também as lembranças,
outros os arrependimentos.

agora começa outro filme.
ligeiramente mais assustador, adivinho.
sem pipocas à entrada, sem grupos de amigos a conversar animadamente
enquanto se espera pela hora marcada no bilhete.
bilhete, onde raio pus a porcaria do bilhete?
cá fora há só frio. incerteza.
dois ou três intelectuais com o mesmo penteado, a mesma cor na armação dos óculos, o mesmo olhar por detrás deles também.

...
quando acordei era tão parecida comigo...
agora já nem sei.

25.8.08

Aquela calma. Aquela serenidade. Aquela arrogância, até.
Tudo nele era mérito, sabedoria.
O silêncio abafado da chuva que cessava lá fora, e a sua voz - melodia contrapontística, sem percussão (salvo as batidas secas dos conceitos-chave e as bofetadas de luva branca do que poderia ser pura evidência).
Sempre o mesmo discurso,
sempre a redundância de rabo na boca.
Nada de novo a acrescentar e a escola da vida sempre a rebentar pelas costuras com alunos que nunca aprendem a lição.
Ele não.
O seu nome estava no quadro de honra havia muito tempo.
Ele começara a dar aulas no seu primeiro dia de aluno, aprendera a ensinar-se a si próprio e a esquecer tudo o que lhe pediam para lembrar. Datas, nomes de ruas, regras de etiqueta e receitas para bolos: amnésia, estado avançado. Falhas de memória imperdoáveis para os que conseguiam fazer uma bavaroise de frutos silvestres estupenda - mas não faziam ideia de como viver consigo próprios.
.
Talvez nisso ela pudesse dizer "percebo-te",
nisso e em tudo o resto,
ainda que em aparência a sua má memória fosse invertida.
Mas ela cozinhava também por adivinhação, juntava os ingredientes que sentia fazerem sentido, nas quantidades que a mão conduzida pela sagaz intuição permitia e rezava em profano para que o resultado fosse mais harmonioso que catastrófico.
E lembrava, como os traços definidos de um sonho recorrente,
tudo o que era para ele claro e consciente,
tudo o que realmente importava - mais do que qualquer coisa importar realmente.
Mesmo assim, era sempre aluna repetente,
só porque gostava de aprender tudo de novo, e que ele lhe ensinasse o que ela já sabia. Era tudo tão real, verdadeiro, quando era ele que o dizia - e ela queria ser plateia dos seus próprios pensamentos pensados e ditos por ele. Fechar os olhos e ouvir-se na boca dele, e ser olhada por ele como se pelo seu próprio espelho, como se a própria humanidade a contemplasse e a lembrasse de tudo aquilo que por condição a tinha feito esquecer.
.
Da raíz à ponta dos cabelos dele havia paz, mas os dela serpenteavam em cachos labirínticos, conflitos quase involuntários e restos de pesadelos a acordá-la apesar do sol deslumbrante da manhã...
Como se de açúcar/sal se tratasse:
"Chega de alegria, obrigada" - dizia ele.
"Um pouco menos de tristeza, se faz favor" - dizia ela.
E assim se encontravam, depois do pequeno-almoço, a meio caminho entre a miséria e a felicidade, para subirem juntos no elevador para um qualquer acordo entre termos.

22.8.08

Às vezes os aviões caem
e a culpa não é de ninguém.
Não é do motor, ele é só física e química - Natureza,
tal como o homem.

Não há culpa.
E, sem culpa, talvez também não haja morte.
Só vida que se acaba ou se transforma
noutra coisa qualquer.

Não. A Natureza não precisa de pedir desculpa.
O homem?
Isso é outra história.

(Ao sabor do vento as asas deste avião parecem feitas de papel, frágeis. Juro que quando ele aterrar, vou ficar mais feliz do que nunca por estar viva.)

1.6.08

Concept.
I'll make one up for the sake of imagination.
But I won't paint your face on it.

31.1.08

Jung, don't be so uncanny to Freud.
Freud, let Jung play Psychoanalysis too.

Kiss and make up, kids.

  • (We're all scr*w*d anyway.)
  • 28.1.08

    'The Wonder of nature does not become smaller because one cannot measure it by the standards of human moral and human aims.'

    Einstein - we heart you.

    27.1.08

    Then he pushed her against the window. She could feel those icy drops of rain crashing against her indecently uncovered skin, and his eyes and lips were synchronous in feeling when he whispered: 'You need no man's love, my darling. No. You're just a sucker for B12.'
    I had an alarm clock for screw up & I wouldn't give it up, until I did & then I was like 'Where's my alarm clock for screw up?' & I couldn't find it & I asked an old lady who was passing by & she said 'Maybe you left it somewhere' & I said 'Oh, shut up, what do you know!' & she said 'Everything' & I said 'Ok, I'll go get you your glass of water and place it by the nightstand before you go to sleep, gramma.' & she said 'Don't forget to live a little bit while you're at it, dear.' & I said 'Sure, nana, I'll get right on that!' & then I found my alarm clock & I didn't need anything else & that was pretty much the end of the story.

    Silly, silly story, gramma.
    You're thirsty.
    I'm careful.
    And you'd think it should've been the other way around...

    7.12.07

    Create.
    Obliviate.
    Date - 2012.

    G
    a
    m
    e

    O
    v
    e
    r
    Her face was red, but oh, in all the wrong places.

    11.11.07

    She got her pencil back.
    Yes, she did...
    Pretend quite glamorously that everything she would write, she did feel.
    These were her deep thoughts - script dictated by the lonesome director that was
    her heart or her brain (she did not know how to tell them apart).
    And everything else she knew not how to... or did, but to correspondent words conduct the most excruciating feeling...
    she would drink them like watery soup.
    Save them.
    For a brighter day.
    While waiting, her rational prayer did wish for black to be black, but grey was, indeed, the last colour available...
    Colors don't match.

    'Brighter' they are.
    'Darker!' she said.

    Then he opened the window and gently howled 'I would like to give YOU something...'

    And she hopped down the stairs
    whistling 'If you start me up, If you start me up I'll never stop'
    while collecting what she had (first place) given and would
    never
    regain, as it wasn't her's to begin with.



    She knew not how to whistle.

    14.3.07

    Plataforma____________________Os passos que desenhava nela tão pequenos em chão percorrido. Facilmente despercebidos (passavam) ao olhar propositada e pretensiosamente enfeitado pelos restantes futuro-passageiros com um brilho de despreocupação, movendo-se (não obstante) à contraditória velocidade da luz - rotina degenerada em entretenimento. Os pensamentos contagiando com a sua euforia as mãos que disfarçadamente desarrumavam o conteúdo (por si só já pouco não caótico na sua disposição) da mochila, mala, carteira, bolso, ar... _______________________Os pés que desenhavam os passos inexistentes para aquele comum modo-de-olhar humano seguidos num movimento ascendente pelas calças engomadas em tom de perfeição e de castanho escuro também, o casaco pousado nos ombros numa contra-moda de sobriedade, a pele que se deixava vislumbrar nos intervalos de nudez socialmente aceitável - mãos, pescoço, cara - quase translúcida na sua total falta de transparência que em dureza lhe negava a existência.

    Ela sonhava um dia desalinhar-lhe o cabelo que adivinhava matematicamente
    penteado debaixo do chapéu que queria pisar de redondo-achatado para
    uma outra forma qualquer. Uma qualquer. Outra.

    Desejava - não ela, mas a curiosidade que a provocava em silêncio - redesenhar
    a linha estreita e inabalavelmente recta que mais que eixo era invólucro daquele
    frágil mas indestrutível soldadinho de chumbo-peso-de-pena. Amputar-lhe
    a linearidade. Dividir aquele ponto de fuga irrepreensível em pequenos cortes de vazio.
    Inventar com eles pequenos abstractos no realismo que poderia jurar ligeiramente inquieto...
    não fosse a cegueira que cobria
    de quietude os passos de mais um
    desconhecido...

    20.2.07

    Masquerade!

    Paper faces on parade . . .

    Masquerade!

    Hide your face, so the world will never find you . . .

    10.12.06

    You laugh when you don't mean it.
    Why do you laugh?
    And you mean to do-say-write so much.
    Why can't you move?

    6.12.06




















    ("Shall I compare thee to a summer's day?")
    Thou ART.