23.10.08

há tanta coisa que quero escrever. a sério. às vezes venho no metro a redigir mentalmente meia dúzia de disparates que sei que devia anotar, mas ainda não comprei aquele caderninho maravilha - um dos que andam aí a pontapés nas papelarias e que segundo consta é igual ao que o hemingway usava - que ando a namorar (como quem tem casamento marcado contra a própria vontade) há meses. não me faltam as folhas de papel. falta o compromisso. não era suposto ser assim, mas se não for já sei que não é de maneira nenhuma. de resto, tenho pelo menos mais três cadernos onde era suposto escrever as minhas músicas - as páginas ainda estão em branco, mas a nota de intenções é tácita e vai comigo para todo o lado. já nem sei quantos projectos mal-começados-quanto-mais-acabados tenho a fazer torre dentro da gaveta. um dia destes ponho mãos à obra. mas hoje ainda não. falta qualquer coisa. a vida não está suficientemente arrumada para poder finalmente desarrumar a Vida e ver o que tenho andado a perder. também nem sei se esse é o meu sonho. nem sei se concretizá-lo não é uma contradição. se é sonho é sonho, é poder sonhar e não ter que parar nunca. hoje, quando acordei, fiquei quase meia hora deitada com a cabeça aos pés da cama a inventar uma canção que sei que devia ter gravado, porque me vou esquecer dela. lembro-me que era sobre ti, e sobre como cheiras a terra molhada quando estás pensativo. mas não, não era nenhuma canção de amor. eu nem sei o que isso é. e tu és daquelas pessoas que sabe a história mas não tem paciência para a contar. se ao menos ela não fosse quase só essa paciência...
'it's just that it's on the tip of your tongue and
you're so silent...'

19.10.08

She sailed all the way into the city lights.

And nobody cared if she was too young to be living that life.

She didn't know how far 'too late' was.

And she had too many 'too late's stored in the back of her mind.

29.9.08

alta tensão contra céu azul.

28.9.08

I must be a thousand people - or more. I want to do something - for a little while -, then do something completely different - not for long. I don't want to have enough time to get sick of whatever, I want to not bore myself to death. In your eyes I am clueless, in my spirit I am truly clueful - and both our heads confused by what our eyes/spirits see/feel. If I want it all, maybe I want nothing, not really, most certainly will get nothing if I chase everything at the same time. But when's the right time for what? I want to be me, and to look into your eyes and see that you see what I can't see but through them. I want to sit beside you and enjoy who you are. I don't know why it is so important, but it is. I don't know why you are so important, but you won't leave. You stick around, certainty I could so very much do without. I'm sure I want to wake up now. Even if you're nothing like what I imagined. It won't tear me apart. You are neither better nor worse. Just real. I'm giving my thumbs up to reality.

Don't change your mind. You'll find that things are the way they are and that's all there is to it. There's no other place besides now, no other time besides here. And here and now you must grow up to become who you've always been.

.

Oh yes. I'm mocking the serious life I'm supposed to be living.

23.9.08

As I recognize you I'm praying to myself 'God bless you'. I shall never have you - like I never had you - again. Whatever prayer is, it is always to yourself. Sounds like something you would say. Sounds like something I should sing about one day. When that day comes, I want you to be sitting in a chair right in front of me, listening to me for the first time while I bid you that more-than-dued-farewell. My feet do keep itching for me to go places, still I got one of them stuck in your door. And you don't even live there anymore. I would burn it down, but I need that foot. And I would shoot you down too, but I need that heart you stole from me.
God bless you for stealing it.

21.9.08



story of a family.





16.9.08

'Wish you were here', dos Fleetwood Mac.

Essa era a vossa música, disseste. E eu lembrei-me da história que me repetiste já tantas vezes, sempre como se fosse a primeira. Nunca me canso de a ouvir. E volta e meia, quando desisto de acreditar no amor, antes de desistir corro para a gaveta e leio todas aquelas cartas que o pai te escreveu. Sou parecida com ele, estás sempre a dizer. Mas também sou parecida contigo. E quero guardar dentro de mim um pedaçinho desse grande amor que vocês viveram. Porque fui esse amor antes de ser qualquer outra coisa.

14.9.08

The song is over

&

done.

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

But I can still hear the music.

7.9.08

Faz-me lembrar aqueles verões no sul de França.


Aqueles que ainda lá não passei.

















.

.

.



- Say, do you have enough room in your pockets



for all of those dreams?



- Well yes I do, sir. You see, I'm like a kangaroo. And my entire body is a pocket for the million dreams I dream on a daily basis.

6.9.08

Ri.

Chora.

Agora diz qualquer coisa como se o sentisses mesmo.
Recita um poema qualquer, como se fosse água a ferver que te escorrega pela garganta abaixo, queima.
Chá de
jasmim. Acabadinho de fazer.

Não te esqueças da pontuação.

Quando for vírgula, franze ligeiramente o sobrolho.

No ponto final, deixa que o teu olhar desamparado faça tombar-me o vestido aos pés. Ele tem um cair bonito. Fica-lhe bem.

E a ti fica-te bem seres tão humano.

[Fica-te bem e não sai particularmente caro ao bolso do comum espectador.]

1.9.08








Pequeno



grande
conto de fadas.



Quero que sejas morada dos meus sonhos.

31.8.08

ler aquelas palavras outra vez.
todos os dias.

para me lembrar que faz sentido.

(mas se faz mesmo, porque é que dura tão pouco tempo senti-lo?)

27.8.08

será que vai começar tudo outra vez?

será que vamos ter outro primeiro dia
(como aquele primeiro dia),
um novo ciclo que feche o ponto de chegada no ponto de partida
e que os funda e confunda num último desejo de voltar atrás
e fazer tudo diferente?
mas não.
não poderia ter sido de outra maneira.
se pudesse,
teria sido.
mas outras teriam sido também as lembranças,
outros os arrependimentos.

agora começa outro filme.
ligeiramente mais assustador, adivinho.
sem pipocas à entrada, sem grupos de amigos a conversar animadamente
enquanto se espera pela hora marcada no bilhete.
bilhete, onde raio pus a porcaria do bilhete?
cá fora há só frio. incerteza.
dois ou três intelectuais com o mesmo penteado, a mesma cor na armação dos óculos, o mesmo olhar por detrás deles também.

...
quando acordei era tão parecida comigo...
agora já nem sei.

25.8.08

Aquela calma. Aquela serenidade. Aquela arrogância, até.
Tudo nele era mérito, sabedoria.
O silêncio abafado da chuva que cessava lá fora, e a sua voz - melodia contrapontística, sem percussão (salvo as batidas secas dos conceitos-chave e as bofetadas de luva branca do que poderia ser pura evidência).
Sempre o mesmo discurso,
sempre a redundância de rabo na boca.
Nada de novo a acrescentar e a escola da vida sempre a rebentar pelas costuras com alunos que nunca aprendem a lição.
Ele não.
O seu nome estava no quadro de honra havia muito tempo.
Ele começara a dar aulas no seu primeiro dia de aluno, aprendera a ensinar-se a si próprio e a esquecer tudo o que lhe pediam para lembrar. Datas, nomes de ruas, regras de etiqueta e receitas para bolos: amnésia, estado avançado. Falhas de memória imperdoáveis para os que conseguiam fazer uma bavaroise de frutos silvestres estupenda - mas não faziam ideia de como viver consigo próprios.
.
Talvez nisso ela pudesse dizer "percebo-te",
nisso e em tudo o resto,
ainda que em aparência a sua má memória fosse invertida.
Mas ela cozinhava também por adivinhação, juntava os ingredientes que sentia fazerem sentido, nas quantidades que a mão conduzida pela sagaz intuição permitia e rezava em profano para que o resultado fosse mais harmonioso que catastrófico.
E lembrava, como os traços definidos de um sonho recorrente,
tudo o que era para ele claro e consciente,
tudo o que realmente importava - mais do que qualquer coisa importar realmente.
Mesmo assim, era sempre aluna repetente,
só porque gostava de aprender tudo de novo, e que ele lhe ensinasse o que ela já sabia. Era tudo tão real, verdadeiro, quando era ele que o dizia - e ela queria ser plateia dos seus próprios pensamentos pensados e ditos por ele. Fechar os olhos e ouvir-se na boca dele, e ser olhada por ele como se pelo seu próprio espelho, como se a própria humanidade a contemplasse e a lembrasse de tudo aquilo que por condição a tinha feito esquecer.
.
Da raíz à ponta dos cabelos dele havia paz, mas os dela serpenteavam em cachos labirínticos, conflitos quase involuntários e restos de pesadelos a acordá-la apesar do sol deslumbrante da manhã...
Como se de açúcar/sal se tratasse:
"Chega de alegria, obrigada" - dizia ele.
"Um pouco menos de tristeza, se faz favor" - dizia ela.
E assim se encontravam, depois do pequeno-almoço, a meio caminho entre a miséria e a felicidade, para subirem juntos no elevador para um qualquer acordo entre termos.

22.8.08

Às vezes os aviões caem
e a culpa não é de ninguém.
Não é do motor, ele é só física e química - Natureza,
tal como o homem.

Não há culpa.
E, sem culpa, talvez também não haja morte.
Só vida que se acaba ou se transforma
noutra coisa qualquer.

Não. A Natureza não precisa de pedir desculpa.
O homem?
Isso é outra história.

(Ao sabor do vento as asas deste avião parecem feitas de papel, frágeis. Juro que quando ele aterrar, vou ficar mais feliz do que nunca por estar viva.)

1.6.08

Concept.
I'll make one up for the sake of imagination.
But I won't paint your face on it.

31.1.08

Jung, don't be so uncanny to Freud.
Freud, let Jung play Psychoanalysis too.

Kiss and make up, kids.

  • (We're all scr*w*d anyway.)
  • 28.1.08

    'The Wonder of nature does not become smaller because one cannot measure it by the standards of human moral and human aims.'

    Einstein - we heart you.

    27.1.08

    Then he pushed her against the window. She could feel those icy drops of rain crashing against her indecently uncovered skin, and his eyes and lips were synchronous in feeling when he whispered: 'You need no man's love, my darling. No. You're just a sucker for B12.'
    I had an alarm clock for screw up & I wouldn't give it up, until I did & then I was like 'Where's my alarm clock for screw up?' & I couldn't find it & I asked an old lady who was passing by & she said 'Maybe you left it somewhere' & I said 'Oh, shut up, what do you know!' & she said 'Everything' & I said 'Ok, I'll go get you your glass of water and place it by the nightstand before you go to sleep, gramma.' & she said 'Don't forget to live a little bit while you're at it, dear.' & I said 'Sure, nana, I'll get right on that!' & then I found my alarm clock & I didn't need anything else & that was pretty much the end of the story.

    Silly, silly story, gramma.
    You're thirsty.
    I'm careful.
    And you'd think it should've been the other way around...

    7.12.07

    Create.
    Obliviate.
    Date - 2012.

    G
    a
    m
    e

    O
    v
    e
    r
    Her face was red, but oh, in all the wrong places.

    11.11.07

    She got her pencil back.
    Yes, she did...
    Pretend quite glamorously that everything she would write, she did feel.
    These were her deep thoughts - script dictated by the lonesome director that was
    her heart or her brain (she did not know how to tell them apart).
    And everything else she knew not how to... or did, but to correspondent words conduct the most excruciating feeling...
    she would drink them like watery soup.
    Save them.
    For a brighter day.
    While waiting, her rational prayer did wish for black to be black, but grey was, indeed, the last colour available...
    Colors don't match.

    'Brighter' they are.
    'Darker!' she said.

    Then he opened the window and gently howled 'I would like to give YOU something...'

    And she hopped down the stairs
    whistling 'If you start me up, If you start me up I'll never stop'
    while collecting what she had (first place) given and would
    never
    regain, as it wasn't her's to begin with.



    She knew not how to whistle.

    14.3.07

    Plataforma____________________Os passos que desenhava nela tão pequenos em chão percorrido. Facilmente despercebidos (passavam) ao olhar propositada e pretensiosamente enfeitado pelos restantes futuro-passageiros com um brilho de despreocupação, movendo-se (não obstante) à contraditória velocidade da luz - rotina degenerada em entretenimento. Os pensamentos contagiando com a sua euforia as mãos que disfarçadamente desarrumavam o conteúdo (por si só já pouco não caótico na sua disposição) da mochila, mala, carteira, bolso, ar... _______________________Os pés que desenhavam os passos inexistentes para aquele comum modo-de-olhar humano seguidos num movimento ascendente pelas calças engomadas em tom de perfeição e de castanho escuro também, o casaco pousado nos ombros numa contra-moda de sobriedade, a pele que se deixava vislumbrar nos intervalos de nudez socialmente aceitável - mãos, pescoço, cara - quase translúcida na sua total falta de transparência que em dureza lhe negava a existência.

    Ela sonhava um dia desalinhar-lhe o cabelo que adivinhava matematicamente
    penteado debaixo do chapéu que queria pisar de redondo-achatado para
    uma outra forma qualquer. Uma qualquer. Outra.

    Desejava - não ela, mas a curiosidade que a provocava em silêncio - redesenhar
    a linha estreita e inabalavelmente recta que mais que eixo era invólucro daquele
    frágil mas indestrutível soldadinho de chumbo-peso-de-pena. Amputar-lhe
    a linearidade. Dividir aquele ponto de fuga irrepreensível em pequenos cortes de vazio.
    Inventar com eles pequenos abstractos no realismo que poderia jurar ligeiramente inquieto...
    não fosse a cegueira que cobria
    de quietude os passos de mais um
    desconhecido...

    20.2.07

    Masquerade!

    Paper faces on parade . . .

    Masquerade!

    Hide your face, so the world will never find you . . .

    10.12.06

    You laugh when you don't mean it.
    Why do you laugh?
    And you mean to do-say-write so much.
    Why can't you move?

    6.12.06




















    ("Shall I compare thee to a summer's day?")
    Thou ART.

    16.11.06

    rain
    (what do you see?)

    7.11.06














    "The art of art,
    the glory of expression
    and the sunshine of
    the light of letters,
    is simplicity.
    "

    6.11.06

    Quero ser monocórdica na expressão e no pensamento.


    Escrever sobre coisas banais ou não escrever de todo.


    Ser básica.


    Simples.


    Não te assustar com o bicho-papão da complexidade.


    Sou fácil de perceber agora, não tenhas medo.


    Não te vou dar trabalho nenhum.


    Zero.

    5.11.06

    Não queria deixar-me fugir a memória tua por entre as palavras que preciso de dizer escritas porque me rasga o ar que não respiro (por não conseguir esquecer-te nem por um bocadinho).

    Esquecer-te agora para te lembrar amanhã e depois e quase sempre - até te ter outra vez a inventar memórias para eu guardar - - Oh, não me dês tempo para guardar nada! Se te gravo fora de mim, temo que desapareças de todos os lugares onde te possa voltar a encontrar, como se cuspisse sonambulamente nos planos irreverentes de um destino qualquer. Não vou sonhar com linhas que te continuem numa página folheada da minha história, não te rasgo. nem escrevo. Sei agora que não te pinto como te quero pintar, que não te faço como foste feito - mesmo que te imagine perfeito -, que mais despidas que uma folha em branco são as palavras que desenho porque preciso de apagar, porque não me acalmam a vontade de te perder da lembrança antes que me perca a mim numa esperança sempre e nunca demasiado pueril. Patético como te adivinhei em cada cheiro que encontrei no caminho de regresso que fiz quase sem dar conta, ainda a tua simpática preocupação a carregar-me no colo e eu a perceber o tanto que não me importava com isso ao mesmo tempo que lamentava a expressão cor-de-parede-que-as-emoções-não-atravessam que me enfeitara o rosto naquele fim de manhã. Deveria ter-te sorrido a ti e não ao chão sobre o qual me fizeste flutuar (mas não muito). Não me lembro se agradeci a mão gentil que pousaste sobre a minha testa, a serenidade a delinear-te os movimentos - mas uma inquietude quase infantil a soltar-te palavras avulsas e (podia jurar que) desnecessárias. Não chegaste a dizer que ia ficar tudo bem - mas eu dei-te a mão confiante, ainda que por detrás dos olhos sérios e tom de anúncio-de-chuva. Antes de te deixar fiz uma pergunta para a qual não precisava de resposta (não, nem por isso), só porque queria ouvir-te dizer qualquer coisa, pousar suavemente os meus olhos nos teus e rezar para que o tempo fosse mesmo muito relativo - talvez inexistente. Agora que me lembro, nem estava com muita vontade de sair de casa naquele dia. E mesmo assim... quando me olhaste foi
    como se estivesse bonita.


    23.10.06

    Beautiful.
    That's how I see you.
    (it's the way you are too.)
    I need not look at you when I want to see you
    Or notice that you may be looking back (at me).
    I almost despise your not-that-curious stare,
    no reason other than the fact that you see nothing at all to justify it.
    But beautiful - you are.
    Pretty.
    And all I want to do is look at you (without looking).
    Just for a moment.
    That static exchange of seconds that allows you to be the perfect little white canvas I can paint my own version of you on.
    I can taste your sweet-sour presence a few miles away (so close)
    I do not adore it.
    Misunderstand me not.
    I see the flaws and cuts and drops of golden poverty dancing around you.
    But you do not wish to be saved (and I wish it too much, but not enough...)
    Sometimes
    In my redundant silence I crave for the will to whisper in your made-of-tissue-conscience just how incredibly beautiful you are from where I'm standing.
    But you're just a painting.
    A dead, hopeless, beautiful painting.
    That moves without ever leaving the same place...

    17.10.06


    Ela era pequenina.
    Tão pequenina...
    Feita quase à medida da palma da mão dele.
    E sentava-se-lhe bem perto do polegar,
    baloiçando ao ritmo do vento...
    (o mesmo vento)
    que desenlaçava nós no seu cabelo
    e futuros nas linhas da palma
    daquela mão
    (que era)
    Tão grande...
    que falhava sempre em ampará-la
    (pequenina)
    cada vez que lhe descia por entre os dedos...
    Não para lhe fugir.
    Não para se encontrar.
    Apenas porque era tão pequenina
    que queria abraçar o mundo
    (com força)
    até ele ficar tão grande
    como a sua pequenez.
    *
    Ela era pequenina.
    Tão pequenina...
    que quando quis crescer
    Não chegava à maçaneta da porta
    (em forma de uma palma da mão tão grande...
    que não havia
    nas suas linhas espaço para um futuro...)
    que dava para a palavra amor
    (de tamanho demasiado gigantesco
    para que coubesse nela
    qualquer outra coisa)

    12.10.06

    Uma flor. De papel. Preto.
    Estás a ver a letra?
    Um torrãozinho de açúcar. Doce - (Previsível)
    O cigarro a descortinar menos uns minutos de vida. Mas vamos todos morrer mais tarde ou mais cedo.
    O relógio atrasado. Vais perder o comboio.
    Não te rias.
    Um caracol a escorregar-te para o ombro. Despenteado.
    Hoje desististe de mim - sem saber.
    Mas eu não aprendi ainda a desistir de ti.
    Inteligência. Artificial. Shiuuu...
    Fica só entre nós, está bem?
    O quê?
    Que olhei p'ra ti hoje...
    Disseste alguma coisa?
    Nada. Silêncio. Ponto. Pausa.
    Se não te tivesse como amigo nem sei como seria capaz de me enganar tão bem e adormecer pensando que amanhã vai ficar tudo bem.
    Cedo. (Para créditos finais)
    Atrevo-me a dizer que me enganei redondamente outra vez.
    Mas é cedo ainda.
    Sono...
    Já não sonho há muito.
    Nem acordada.
    Em vez disso durmo o tempo-inteiro-todo-o-tempo.
    Nem sinto quando os pés se descosem do chão e os olhos se colam ao vazio.
    Nem ouço os pensamentos a fugir para longe de mim e de quem me pensa perto.
    Nem vejo as palavras que sopras para a frente (e engoles para trás) e cospes de novo para todo o lado...
    Percebo bem que não percebo nada quando me perguntas "Percebeste?"
    Esqueci-me de perceber. (Desculpa)
    Queria perceber mais... perceber lá em cima nas nuvens.
    Não me perco por mal. Não quero (muito) que me encontres.
    Eu consigo sozinha...
    (Mas não consigo)
    (Mas também sei que se não conseguir, ninguém o pode fazer por mim)
    (Mas ainda desconfio que estou demasiado cansada para o concluir)

    Olá. Tudo bem? Tudo. E contigo? Também. - Inauguração do novo paradigma comunicacional

    Vá... vamos dormir, que ser já cansa.

    6.10.06

    "I certainly haven't been shopping for any new shoes, and...

    I certainly haven't been spreading myself around

    I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb

    But I'm good at being uncomfortable so I can't stop changing all the time


    I noticed that my opponent is always on the go, and...

    Won't go slow so's not to focus and I notice

    He'll hitch a ride with any guide as long as they go fast from whence he came

    But he's no good at being uncomfortable so he can't stop staying exactly the same



    If there was a better way to go then it would find me
    I can't help it,
    the road just rolls out behind me
    Be kind to me or treat me mean
    I'll make the most of it,
    I'm an extraordinary machine...

    I seem to you to seek a new disaster every day


    You deem me due to clean my view and be at and lay

    I mean to prove I mean to move in my own way and say

    I've been getting along for long before you came into the play


    I am the baby of the family

    It happens so everybody cares
    And wears the sheeps' clothes while they chaperone
    Curious you're looking down your nose at me while you appease
    Courteous to try and help but let me set your mind at ease

    If there was a better way to go then it would find me
    I can't help it, the road just rolls out behind me
    Be kind to me or treat me mean
    I'll make the most of it,
    I'm an extraordinary machine...

    Do I so worry you
    You need to hurry to my side, it's very kind
    But it's to no avail I don't want the bail
    I promise you everything will be just fine


    If there was a better way to go then it would find me
    I can't help it,
    the
    road
    just rolls out
    behind
    me
    Be
    kind to me
    or
    treat me mean
    I'll make the most of it,
    I'm an extraordinary machine..."

    1.9.06

    31.8.06






    Não sei
    porque me queres...
    (se não sabes o que fazer comigo)

    29.8.06


    "I am not young enough to know everything."

    28.8.06

    (Não vou mastigar um castelo à tua volta.

    Não pintar-te daquela cor que mancha um qualquer arco-íris cinzento que escondas por detrás das gotas de ébano que escorregam rosto teu abaixo.

    E lenta, vagarosa, cautelosamente...
    sem (que eu possa) dar cont.a,
    escorregam

    em sintonia com os reflexos que inspiras do espelho da tua alma para o espelho da minha que,

    note-se, te é tão estranho como aquilo que falha minuciosamente em reflectir,
    ambos mais ainda que a
    moldura, invólucro, embalagem, flor da pele, teatro de fantoches
    (ou de outra coisa qualquer).

    Não te quero esculpir em gelo ou pedra,
    pintar-te a partir dos olhos que celebram a miopia (mais
    que simbólica)

    ou a incerteza da permanência modelizante seja lá do que for.

    Não te vou inventar na tua ausência (prometo! - mais ou menos),

    Nunca esperar preencher o tempo de espera...

    Pro"min"to deixar-te ser,

    não te imaginar... não sem a certeza da existência de qualquer convicção tua que contrarie
    a minha inclinação para te eliminar antes que me dês
    verdadeiro motivo para o fazer.

    Amarre-me, a insolente consciência, à emotiva indiferença
    ou ao relutante (mas fugaz) acordo,
    para que elas me vistam de silêncio
    enquanto gritas suavemente ao meu ouvido...
    sem que te erga uma estátua, nem expulse por completo da minha hierárquica (talvez presumida) consideração.

    Não te quero um estranho de passagem,
    mas não desejo convencer-me de que possas
    algum dia ser pouco (muito) mais que isso.

    Procuro as minhas asas, lembras-te?

    Disseste que mais tarde ou mais cedo acabaria por encontrá-las...
    Tudo porque quero voar para bem longe...
    (já que o céu não tem ruas com nomes para decorar)

    Quão irónico seria descobri-las na prisão que teceste à minha volta...

    Não.

    Não quero construir castelos - se tenho que os destruir)

    4.7.06

    “Primeiro levaram os comunistas,
    mas eu não me importei
    porque não era nada comigo.
    Em seguida levaram alguns operários,
    mas a mim isso não me afectou
    porque eu não sou operário.
    Depois, prenderam os sindicalistas,
    mas eu não me incomodei,
    porque nunca fui sindicalista.
    Logo a seguir, chegou a vez de alguns padres,
    mas como eu não sou religioso,
    também não liguei.
    Agora, levam-me a mim e quando percebi,
    já era tarde.”



    Porque algumas palavras fazem todo o sentido.

    27.6.06

    "In my mother's house
    There was happiness
    I wrapped myself in it... was my chrysalisas
    My life unfolds
    See a pattern through
    Of you protecting me and I protecting you
    What was I to say
    Make your own mistakes
    And when you woke made sure that you remained the same
    Now i realise
    What was on your mind
    When I left your side... l i k e

    a
    b u t t e r f l y"

    22.6.06


    “Ideologies separate us. Dreams and anguish bring us together.”

    16.6.06

    Dizias que o dia de S. Valentim era o final do prazo dos iogurtes que tinhas no frigorífico.

    Lembrei-me disso ontem quando olhei para os que estavam no meu e reparei que acabam no dia em que faço anos.

    Resumir-se-ão assim os (grandes-pequenos?!) momentos das nossas vidas?

    Simples datas de consumo não-aconselhável de iogurtes.

    Chama-lhe qualquer coisa como...

    Ironia.

    "Every child is an artist

    The problem

    is how to

    remain

    an artist

    once

    he grows up. "

    One can always dream. One can always hope. One can always realize that it is not enough.
    What can one do to feel more than just a lonesome unity of nothingness?
    Some wait. Some dispair. Some do both.
    Whatever-whoever they are/I am.
    Should you know better?
    I do.
    I know that I know not much.
    You have Maths, English or Geometry.
    You have playing the piano, being polite and sitting up straight.
    You have pile-up books that you will read-not-so-much-understand.
    You have seconds, then minutes, then hours, then days, then time, then space,
    then everything else.

    And you're the whole that sums up these little pieces of a messed up puzzle.

    I try to make you fit.

    You never belong to my puzzle - So do (not) I.

    I pray that you will understand me where nobody else does.
    Where nobody else tries, 'cause everybody stops by the doorway.
    They seem (so) tired from a long walk towards a black-colorful wall. Their light-years...
    ...my baby steps.
    If only I was sorry I lost their exhaustion.
    But I would dig in miles for someone I should belong to, for my piece of the puzzle.
    And I know it is wrong, to place hopes so high on a piece so little.
    Maybe that's why everything fails, like some catastrophic entropy doom.
    They feed us fairy tales for breakfast, knowing we are doomed to throw them up by lunch time.
    I wont paint it colorful. The words, you know? I could just not say them at all,
    they would be as nonsensical as always.
    And, as always, I hope.
    'Cause breakfast is the most important meal of the day.

    30.5.06

    That is fucking pathetic,
    pardon my French.

    17.5.06

    For real-life romance, press 1.

    15.5.06

    "Once upon a year gone by she saw herself give in,
    Every time she closed her eyes she saw what could have been ~
    Well nothing hurts and nothing bleeds when covers tucked in tight ~
    Funny when the bottom drops how she forgets to fight... to fight ~
    And it's one more day in paradise, one more day in paradise...
    As darkness quickly steals the light that shined within her eyes,
    She slowly swallows all her fear and soothes her mind with lies.
    Well all she wants and all she needs are reasons to survive ~
    A day in which the sun will take her artificial light... her light ~
    And it's one more day in paradise, one more day in paradise...

    one last chance to feel alright..."
    A song by somebody

    8.5.06

    Apetece-me perguntar porquê.
    Não me interessa a resposta.
    Se souberes, não digas.
    Pouco importa.
    Só quero perguntar.
    Porquê.
    Porquê interroga sozinho, sem pontuação, sem outra coisa qualquer.
    Dispenso os artifícios. Porquê passar demasiado tempo com eles?
    Porquê passar o tempo sequer? Porque não parar e deixar de existir, para existir finalmente?
    Talvez. Provavelmente não.
    E porquê a probabilidade, os números, as letras, os sinais, o barulho, as cores, os sabores e o tacto que nunca rasga a pele?
    Porquê as camadas e a nudez disfarçada de loucura ou a loucura disfarçada de conveniência?

    ...

    Lojas de conveniência.
    Sim.
    O mundo.
    O mundo, sim, uma loja de conveniência.
    O que somos nós então?
    Perguntas pela resposta?
    Não.
    De todo.
    Lojas de conveniência.
    Viagens.
    Hotéis.
    Sabonetes para esconder na mala.
    Espectáculos para os turistas no andar de baixo.
    Sonhos por concretizar no andar de cima.
    Mentiras murmuradas mentalmente, na escuridão abafadora daquelas noites de Verão que só tomaram lugar na imaginação.
    Ou talvez não.
    Talvez te lembres delas e perguntes porquê só porque não queres saber a resposta.

    ***


    Os teus gritos não passam de murmúrios. Nunca serás capaz de gritar suficientemente alto.
    Nunca para que te ouçam.
    Tens de escolher tu um fim. Porque sabes que o porquê nunca se gasta. Nem os pontos de interrogação. E quando o fim te escolher a ti,
    já nada há a fazer. Tal como agora.

    7.5.06

    Vazia (ou cheia de nada)?

    6.5.06

    Os dias, os meses, os anos... passam.
    O que guardamos deles, guardamos para nós.
    Não partilhamos com alguém porque "ninguém dá nada a ninguém". E quem quer comprar memórias alheias quando tem as suas? Talvez pudéssemos trocar as de que não gostamos por pedaços gastos de momentos que fizeram sorrir desconhecidos. Será por isso que ouvimos as suas histórias contra a (nossa?) vontade? Deixamo-nos ficar ali, inertes na nossa impaciência gritante, quietude hipócrita de quem tem tudo por fazer, mas nem sabe por onde começar.


    Inverte os ponteiros do relógio. Depois descobre que "inverte" é uma palavra demasiado vulgar para o requinte dos teus pensamentos. E requinte é quase tão mau, se não pior. Apaga tudo e vai dormir. Pelo menos já escreveste qualquer coisa. E mais uma vez percebeste que o silêncio é o discurso de quem tem tudo para dizer.

    30.3.06


    um corte naquela linha no meio da palma da mão.


    porquê?




    sei


    n

    ã
    o

    5.3.06

    "Só hoje senti que o rumo a seguir levava p'ra longe.
    Senti que este chão ja não tinha espaco p'ra tudo o que foge.
    Não sei o motivo pra ir, só sei que não posso ficar.
    Não sei o que vem a seguir... mas quero procurar.
    E hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre,
    Aqueles que são p'ra outro amanhã que há-de ser diferente.
    (...)
    Só hoje esperei já sem desespero que a noite caísse.
    Nenhuma palavra foi hoje diferente do que já se disse.
    E há qualquer coisa a nascer, bem dentro no fundo de mim
    E há uma força a vencer qualquer outro fim.
    Não quero levar o que dei, talvez nem sequer o que é meu.
    É que hoje parece bastar...
    um pouco de céu
    um pouco de céu
    um pouco de céu
    um pouco de céu
    um pouco de céu"
    Mafalda Veiga

    3.3.06

    Todos os dias te vejo.

    Nenhum (deles) te olho.

    Não sei se alguma vez me viste e, no entanto, quando falas fazes-me recordar memórias partilhadas de momentos inexistentes em que tu e eu brincávamos na areia (ou noutro sítio qualquer - talvez em cima de uma nuvem), imaginávamos as histórias que cada pessoa que passava teria para contar, ríamos inocentemente de tudo à nossa volta - de nós mesmos tantas vezes. Ninguém nos via. Nós também não víamos ninguém. Tu sabias porquê, mas não me contavas - não querias que caísse da nuvem. Se chegasse mesmo a cair, não sei se me irias buscar. Não faço ideia se arriscarias a tua ilusão pela derrota da minha. Há tanto que não sei ainda, tanto que fica sempre por descobrir. Nunca me contaste o final da história, vindo de ti, não me espantaria um final surpreendente e nada "feliz". E, mesmo assim, não me importava assim tanto de estar ali. Éramos pequenos e queríamos devorar o mundo. Tu devoravas a tua tigela de cereais de chocolate e eu a minha. E se a fome se recusasse a abandonar-me, não sei se abdicarias dos teus pedaços de cacau para a afastar de mim. Será que irias reparar? Será que não importa que essas tais memórias não existam afinal e tu estejas a morar no canto paralelamente oposto do universo? E se isso fizer a diferença?
    Tenho vergonha de falar muito alto. E se ficar cansada de gritar para o outro lado do universo para que ouças o que tenho a dizer (quando não tenho que dizer nada)? E o que acontece se todas as palavras forem ouvidas na perfeição e o sentido se tiver perdido algures numa galáxia distante? Nem sei se te darás ao trabalho de o procurar - eu muito menos. Às vezes pensas que não estou a ouvir, às vezes não estou mesmo - não estou a ouvir as palavras; estou a tentar ouvir o sentido.
    Porque é que falas então?
    Porque é que tens que estar sempre a dizer alguma coisa? Às vezes apetece-me mandar-te calar. Esqueço as boas maneiras, a tua maneira até, a simpatia, tudo o que não interessa. Digo o que tenho a dizer. Tu ouves. As palavras, digo. O sentido só tu sabes. Se não te importa, então pouco me importa saber se te importa. Tu não és meu de forma alguma, sob perspectiva alguma, em galáxia ou planeta algum e, sem dúvida alguma, "tua" não sou eu. Nem sei se simpatizo com o que for teu, com o que exibes na tua espontaneidade caoticamente discreta.
    És tão estranho.
    Estranho. Não diz nada. Diz tudo. Inventamos nós o resto. Tu és estranho. E não sei porquê dizes-me muito mais assim. Às vezes não dizes nada. Às vezes parece que a comunicação inter-galáctica não surte efeito. Mesmo assim, há qualquer coisa de familiar em tudo o que de estranho existe em ti, algo com que concordo discordando completamente. Falas. Eu falo. Penso não sei em quê. Não evito voar. Também não sei se fujo se me tentares apanhar. Não sei. O que eu quero? Também não. Não sei se tenho borboletas a esvoaçar no meu estômago quando estás mais perto - nunca reparei. Não sei bem a cor dos teus olhos. A tua voz ouço-a vagamente. As tuas palavras são tantas - tão poucas as certezas quanto ao sentido que lhes queres imprimir... ou talvez não?! -, mas não sei nenhuma de cor. Nem as minhas resolvem morar na memória, a não ser as que te pedem para me adormeceres a cantar em silêncio nos teus braços. E o resto, sei lá.
    Eu desculpo-te.
    Sim, eu sei que não me pediste,
    mas eu desculpo-te na mesma.
    Perdoo-te o que não dizes,
    o que não fazes,
    o que não és.
    Demoro-me no que és, nas pequenas réstias de pseudo-arrependimento
    de tudo o que ficou pendente,
    do nada que ficou prometido.
    Quebraste as promessas que não fizeste.
    E eu? Eu desculpei-te.
    Que mais poderia, deveria fazer?
    Desculpo-te a ti


    e a mim.

    20.2.06

    There are lessons you never learn.

    7.2.06

    - Sabes, é provável que tenhas que acabar por te contentar...
    - Achas mesmo?
    - Tenho a certeza quase dada por absoluta. Há sempre dúvidas, claro. Alguns chamam-lhe esperança, outros não lhe chamam nada. Não têm tempo para admirar a ilusão, para se apegarem a ela, para a catalogar. A realidade arrumaram-na há muito na gaveta, ainda que ela persista em escapar pela fechadura.
    - Desde quando é que as gavetas têm fechaduras?
    - Algumas têm. Aquelas que queremos salvar da curiosidade alheia. Pegamos numa chave pequena (ferrugenta) e trancamos os segredos lá dentro.
    - Desde quando é que a realidade é segredo?
    - Desde sempre. Ou acreditas mesmo que há alguma coisa dentro da gaveta?!
    - Porque haverias de a querer fechar se estivesse vazia?
    - Para me convencer de que não está, de facto.
    - E é provável que não esteja.
    - Tão provável como o teu inevitável e obrigatório contentamento.
    - Certamente não o contentamento de quem dá pulos de alegria dentro de uma gaveta vazia.
    - Não. Acho que é mais aquele contentamento de quem não pode esperar mais nem melhor. De quem está farto de esperar e percebe que não ganha muito com isso.
    - Ganha tanto em esperar quanto em deixar de o fazer. Desde quando é que desistir se tornou a tua opção?
    - Não é uma opção. Não há opção. Por isso é que o contentamento é inevitável, obrigatório.
    - Ninguém me vai obrigar a não esperar.
    - Nesse caso, tu és ninguém.
    - Eu não me vou obrigar a isso. Obrigo-me todos os dias ao contrário, por vezes ao contrário do contrário, mas o que interessa realmente no meio de todas as obrigações é que a espera, gaveta cheia ou vazia, é o fundamento de seguir em frente impacientemente. Sempre a olhar para trás. À espera. Quando segues em frente, estás na verdade a percorrer quilómetros sem sair do mesmo lugar. Porque não esperar? Esperar distraidamente, numa pretensa correria rumo ao que vem ter connosco.
    - Desculpa, mas não te cedo a minha concordância.
    - Não faz mal. Para esperar (ou andar) basta-me a minha.

    5.2.06

    Time allowed for reading: Life
    l
    Time allowed for living: A few pages, some dreams,
    a bit of loneliness, a byte of keeping yourself some company.

    3.2.06

    Diz-me que não faz mal não ter sono, não querer dormir (que é a mesma coisa, agora).
    Diz que não faz mal se eu não acordar amanhã à hora dos desenhos animados, pegar na taça com ovelhas desenhadas no fundo - mas que interessam os desenhos no fundo se o leite e os cereais ficam sempre por cima? Às vezes é engraçado ver os contornos a aproximarem-se à medida que o leite se esgota... deve ser uma espécie de consolação. A imaginação supera a fome, mas só quando a fome já não existe. Não, não tenho fome de ti. Blerg... não sou canibal! Ahh, em sentido figurado... não, também não. Até tinha fome das tuas palavras, mas elas aterram sempre tão pesadas, tão frias, tão secas.

    Hoje choveu.
    Mas não molhou as tuas palavras.
    Afinal as palavras não são nada, absolutamente nada, são caixas vazias que toda a gente - e eu, eu também, a toda a hora - enche de nadas, doces sim... E tal como o algodão doce parecem sempre maiores do que realmente são. Derretem na boca (não nas mãos), são sempre tão pequeninas e frágeis. Acabam sempre demasiado depressa. Uma nuvem cor-de-rosa gigantesca (e fofa!) não é mais que um pedaço duro de açúcar colorido artificialmente. Pormenores.
    Alinhar as palavras ao meio...
    Para parecerem mais bonitas, melhor colocadas.
    Sim.
    São palavras sentadas correctamente,
    no seu trono de açúcar (demasiado) cor-de-rosa.
    E afinal...
    Esgotam-se.
    As palavras esgotam-se.
    Sim! Daqui a menos de uma vida a caixa das tuas palavras ter-se-á desfeito.
    Segura-las na palma da mão, e então
    Percebes que estiveste sempre a dizer a mesma coisa,
    de maneiras diferentes e, PIOR,
    sempre da mesma maneira.
    Triste, não é?
    Como se não bastasse, não tens sono.
    Vai lá folhear a agenda, relembrar os compromissos de amanhã, amanhã que, note-se, deverá começar cedo, quando os desenhos ainda estão a maquilhar-se nos bastidores para entrar em cena. Em cena televisiva, claro. Sim, tu nunca te levantaste cedo para ver os bonecos. Isso é mesmo... adulto. Ou então, não. Não te lembras que toda a gente crescia sempre mais depressa do que tu? Já te esqueceste daqueles momentos marcantes em que a tua mãe se aproximava de ti e dizia, compreensivamente, que ninguém crescia ao mesmo tempo e que a tua até então melhor amiga, só por acaso, por golpe fatal do destino, estava a ultrapassar-te em centímetros psicológicos. Não tem mal, não te sintas pequena. Ergue-te na tua condição de completa (e patética) anã. Ainda gostamos de ti. Vamos sempre gostar de ti, só que já não estás no contexto... adeus...
    Adeus, adeus...
    Que palavra tão... terminal.
    Um caixote a apontar a saída.
    As pessoas mudam, as vontades também.
    O tempo é o melhor remédio, so they say.
    Concordo.
    Com o tempo mortificam-se as saudades, as tristezas, a alma.
    A vontade não muda.
    A vontade morre.
    Não, era a brincar.
    Vamos dormir descansados esta noite.
    Vamos fechar a cortina, arrumar as memórias e rasgar as histórias.
    Só as contamos um dia aos nossos filhos, quando elas forem perfeitamente inofensivas.
    Só quando pudermos um dia rir-nos delas.
    Esqueçamos que somos tudo aquilo que elas nos contaram.
    Tudo nos pinta, mas o desenho deve esquecer o criador, caso contrário acabará por lhe perder o amor. (A palavra ódio é uma caixa demasiado escura e sombria) Matá-lo-á quando já nada pode ser feito - tal Dorian Gray.
    Não quero ser modelo.
    Não quero que as memórias tristes me pintem,
    por isso sorrio.
    Sorrir resolve todos os meus problemas,
    formula teorias de sistemas,
    conquista a tal jovem, que mora na rua da utopia maçã de baunilha,
    nº who gives a damn anyway,
    essa jovem chamada felicidade.
    Oh, vamos sorrir - o que é que custa?
    Um sorriso nunca fez mal a ninguém.
    E nada como viver para esquecer a vida.