23.10.08
19.10.08
29.9.08
28.9.08
I must be a thousand people - or more. I want to do something - for a little while -, then do something completely different - not for long. I don't want to have enough time to get sick of whatever, I want to not bore myself to death. In your eyes I am clueless, in my spirit I am truly clueful - and both our heads confused by what our eyes/spirits see/feel. If I want it all, maybe I want nothing, not really, most certainly will get nothing if I chase everything at the same time. But when's the right time for what? I want to be me, and to look into your eyes and see that you see what I can't see but through them. I want to sit beside you and enjoy who you are. I don't know why it is so important, but it is. I don't know why you are so important, but you won't leave. You stick around, certainty I could so very much do without. I'm sure I want to wake up now. Even if you're nothing like what I imagined. It won't tear me apart. You are neither better nor worse. Just real. I'm giving my thumbs up to reality.
23.9.08
21.9.08
16.9.08
'Wish you were here', dos Fleetwood Mac.
Essa era a vossa música, disseste. E eu lembrei-me da história que me repetiste já tantas vezes, sempre como se fosse a primeira. Nunca me canso de a ouvir. E volta e meia, quando desisto de acreditar no amor, antes de desistir corro para a gaveta e leio todas aquelas cartas que o pai te escreveu. Sou parecida com ele, estás sempre a dizer. Mas também sou parecida contigo. E quero guardar dentro de mim um pedaçinho desse grande amor que vocês viveram. Porque fui esse amor antes de ser qualquer outra coisa.
14.9.08
7.9.08
6.9.08
Chora.
Agora diz qualquer coisa como se o sentisses mesmo.
Recita um poema qualquer, como se fosse água a ferver que te escorrega pela garganta abaixo, queima.
Chá de jasmim. Acabadinho de fazer.
Não te esqueças da pontuação.
Quando for vírgula, franze ligeiramente o sobrolho.
No ponto final, deixa que o teu olhar desamparado faça tombar-me o vestido aos pés. Ele tem um cair bonito. Fica-lhe bem.
E a ti fica-te bem seres tão humano.
[Fica-te bem e não sai particularmente caro ao bolso do comum espectador.]
31.8.08
27.8.08
será que vamos ter outro primeiro dia
(como aquele primeiro dia),
um novo ciclo que feche o ponto de chegada no ponto de partida
e que os funda e confunda num último desejo de voltar atrás
e fazer tudo diferente?
mas não.
não poderia ter sido de outra maneira.
se pudesse,
teria sido.
mas outras teriam sido também as lembranças,
outros os arrependimentos.
agora começa outro filme.
ligeiramente mais assustador, adivinho.
sem pipocas à entrada, sem grupos de amigos a conversar animadamente
enquanto se espera pela hora marcada no bilhete.
bilhete, onde raio pus a porcaria do bilhete?
cá fora há só frio. incerteza.
dois ou três intelectuais com o mesmo penteado, a mesma cor na armação dos óculos, o mesmo olhar por detrás deles também.
...
quando acordei era tão parecida comigo...
agora já nem sei.
25.8.08
22.8.08
e a culpa não é de ninguém.
Não é do motor, ele é só física e química - Natureza,
tal como o homem.
Não há culpa.
E, sem culpa, talvez também não haja morte.
Só vida que se acaba ou se transforma
noutra coisa qualquer.
Não. A Natureza não precisa de pedir desculpa.
O homem?
Isso é outra história.
(Ao sabor do vento as asas deste avião parecem feitas de papel, frágeis. Juro que quando ele aterrar, vou ficar mais feliz do que nunca por estar viva.)
31.1.08
Freud, let Jung play Psychoanalysis too.
Kiss and make up, kids.
28.1.08
27.1.08
Silly, silly story, gramma.
You're thirsty.
I'm careful.
And you'd think it should've been the other way around...
11.11.07
Yes, she did...
Pretend quite glamorously that everything she would write, she did feel.
These were her deep thoughts - script dictated by the lonesome director that was
her heart or her brain (she did not know how to tell them apart).
And everything else she knew not how to... or did, but to correspondent words conduct the most excruciating feeling...
she would drink them like watery soup.
Save them.
For a brighter day.
While waiting, her rational prayer did wish for black to be black, but grey was, indeed, the last colour available...
'Brighter' they are.
'Darker!' she said.
Then he opened the window and gently howled 'I would like to give YOU something...'
And she hopped down the stairs
whistling 'If you start me up, If you start me up I'll never stop'
while collecting what she had (first place) given and would
She knew not how to whistle.
14.3.07
Ela sonhava um dia desalinhar-lhe o cabelo que adivinhava matematicamente
penteado debaixo do chapéu que queria pisar de redondo-achatado para
uma outra forma qualquer. Uma qualquer. Outra.
Desejava - não ela, mas a curiosidade que a provocava em silêncio - redesenhar
a linha estreita e inabalavelmente recta que mais que eixo era invólucro daquele
frágil mas indestrutível soldadinho de chumbo-peso-de-pena. Amputar-lhe
20.2.07
10.12.06
16.11.06
6.11.06
5.11.06
Esquecer-te agora para te lembrar amanhã e depois e quase sempre - até te ter outra vez a inventar memórias para eu guardar - - Oh, não me dês tempo para guardar nada! Se te gravo fora de mim, temo que desapareças de todos os lugares onde te possa voltar a encontrar, como se cuspisse sonambulamente nos planos irreverentes de um destino qualquer. Não vou sonhar com linhas que te continuem numa página folheada da minha história, não te rasgo. nem escrevo. Sei agora que não te pinto como te quero pintar, que não te faço como foste feito - mesmo que te imagine perfeito -, que mais despidas que uma folha em branco são as palavras que desenho porque preciso de apagar, porque não me acalmam a vontade de te perder da lembrança antes que me perca a mim numa esperança sempre e nunca demasiado pueril. Patético como te adivinhei em cada cheiro que encontrei no caminho de regresso que fiz quase sem dar conta, ainda a tua simpática preocupação a carregar-me no colo e eu a perceber o tanto que não me importava com isso ao mesmo tempo que lamentava a expressão cor-de-parede-que-as-emoções-não-atravessam que me enfeitara o rosto naquele fim de manhã. Deveria ter-te sorrido a ti e não ao chão sobre o qual me fizeste flutuar (mas não muito). Não me lembro se agradeci a mão gentil que pousaste sobre a minha testa, a serenidade a delinear-te os movimentos - mas uma inquietude quase infantil a soltar-te palavras avulsas e (podia jurar que) desnecessárias. Não chegaste a dizer que ia ficar tudo bem - mas eu dei-te a mão confiante, ainda que por detrás dos olhos sérios e tom de anúncio-de-chuva. Antes de te deixar fiz uma pergunta para a qual não precisava de resposta (não, nem por isso), só porque queria ouvir-te dizer qualquer coisa, pousar suavemente os meus olhos nos teus e rezar para que o tempo fosse mesmo muito relativo - talvez inexistente. Agora que me lembro, nem estava com muita vontade de sair de casa naquele dia. E mesmo assim... quando me olhaste foi como se estivesse bonita.
23.10.06
That's how I see you.
(it's the way you are too.)
I need not look at you when I want to see you
Or notice that you may be looking back (at me).
I almost despise your not-that-curious stare,
no reason other than the fact that you see nothing at all to justify it.
But beautiful - you are.
Pretty.
And all I want to do is look at you (without looking).
Just for a moment.
That static exchange of seconds that allows you to be the perfect little white canvas I can paint my own version of you on.
I can taste your sweet-sour presence a few miles away (so close)
I do not adore it.
Misunderstand me not.
I see the flaws and cuts and drops of golden poverty dancing around you.
But you do not wish to be saved (and I wish it too much, but not enough...)
Sometimes
In my redundant silence I crave for the will to whisper in your made-of-tissue-conscience just how incredibly beautiful you are from where I'm standing.
But you're just a painting.
A dead, hopeless, beautiful painting.
That moves without ever leaving the same place...
17.10.06
12.10.06
Estás a ver a letra?
Um torrãozinho de açúcar. Doce - (Previsível)
O cigarro a descortinar menos uns minutos de vida. Mas vamos todos morrer mais tarde ou mais cedo.
O relógio atrasado. Vais perder o comboio.
Não te rias.
Um caracol a escorregar-te para o ombro. Despenteado.
Hoje desististe de mim - sem saber.
Mas eu não aprendi ainda a desistir de ti.
Inteligência. Artificial. Shiuuu...
Fica só entre nós, está bem?
O quê?
Que olhei p'ra ti hoje...
Disseste alguma coisa?
Nada. Silêncio. Ponto. Pausa.
Se não te tivesse como amigo nem sei como seria capaz de me enganar tão bem e adormecer pensando que amanhã vai ficar tudo bem.
Cedo. (Para créditos finais)
Atrevo-me a dizer que me enganei redondamente outra vez.
Mas é cedo ainda.
Sono...
Já não sonho há muito.
Nem acordada.
Em vez disso durmo o tempo-inteiro-todo-o-tempo.
Nem sinto quando os pés se descosem do chão e os olhos se colam ao vazio.
Nem ouço os pensamentos a fugir para longe de mim e de quem me pensa perto.
Nem vejo as palavras que sopras para a frente (e engoles para trás) e cospes de novo para todo o lado...
Percebo bem que não percebo nada quando me perguntas "Percebeste?"
Esqueci-me de perceber. (Desculpa)
Queria perceber mais... perceber lá em cima nas nuvens.
Não me perco por mal. Não quero (muito) que me encontres.
Eu consigo sozinha...
(Mas não consigo)
(Mas também sei que se não conseguir, ninguém o pode fazer por mim)
(Mas ainda desconfio que estou demasiado cansada para o concluir)
Olá. Tudo bem? Tudo. E contigo? Também. - Inauguração do novo paradigma comunicacional
Vá... vamos dormir, que ser já cansa.
6.10.06
I certainly haven't been spreading myself around
I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb
But I'm good at being uncomfortable so I can't stop changing all the time
I noticed that my opponent is always on the go, and...
Won't go slow so's not to focus and I notice
He'll hitch a ride with any guide as long as they go fast from whence he came
But he's no good at being uncomfortable so he can't stop staying exactly the same
I can't help it,
Be kind to me or treat me mean
You deem me due to clean my view and be at and lay
I mean to prove I mean to move in my own way and say
I've been getting along for long before you came into the play
It happens so everybody cares
If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me or treat me mean
Do I so worry you
You need to hurry to my side, it's very kind
But it's to no avail I don't want the bail
I promise you everything will be just fine
I can't help it,
Be
1.9.06
28.8.06
Não pintar-te daquela cor que mancha um qualquer arco-íris cinzento que escondas por detrás das gotas de ébano que escorregam rosto teu abaixo.
E lenta, vagarosa, cautelosamente...
sem (que eu possa) dar cont.a,
escorregam
em sintonia com os reflexos que inspiras do espelho da tua alma para o espelho da minha que,
note-se, te é tão estranho como aquilo que falha minuciosamente em reflectir,
ambos mais ainda que a
moldura, invólucro, embalagem, flor da pele, teatro de fantoches
(ou de outra coisa qualquer).
Não te quero esculpir em gelo ou pedra,
pintar-te a partir dos olhos que celebram a miopia (mais
que simbólica)
ou a incerteza da permanência modelizante seja lá do que for.
Não te vou inventar na tua ausência (prometo! - mais ou menos),
Nunca esperar preencher o tempo de espera...
Pro"min"to deixar-te ser,
não te imaginar... não sem a certeza da existência de qualquer convicção tua que contrarie
a minha inclinação para te eliminar antes que me dês
verdadeiro motivo para o fazer.
Amarre-me, a insolente consciência, à emotiva indiferença
ou ao relutante (mas fugaz) acordo,
para que elas me vistam de silêncio
enquanto gritas suavemente ao meu ouvido...
sem que te erga uma estátua, nem expulse por completo da minha hierárquica (talvez presumida) consideração.
Não te quero um estranho de passagem,
mas não desejo convencer-me de que possas
algum dia ser pouco (muito) mais que isso.
Procuro as minhas asas, lembras-te?
Disseste que mais tarde ou mais cedo acabaria por encontrá-las...
Tudo porque quero voar para bem longe...
(já que o céu não tem ruas com nomes para decorar)
Quão irónico seria descobri-las na prisão que teceste à minha volta...
Não.
Não quero construir castelos - se tenho que os destruir)
4.7.06

27.6.06
There was happiness
I wrapped myself in it... was my chrysalisas
My life unfolds
See a pattern through
Of you protecting me and I protecting you
What was I to say
Make your own mistakes
And when you woke made sure that you remained the same
Now i realise
What was on your mind
When I left your side... l i k e
16.6.06
Lembrei-me disso ontem quando olhei para os que estavam no meu e reparei que acabam no dia em que faço anos.
Resumir-se-ão assim os (grandes-pequenos?!) momentos das nossas vidas?
Simples datas de consumo não-aconselhável de iogurtes.
Chama-lhe qualquer coisa como...
Ironia.
What can one do to feel more than just a lonesome unity of nothingness?
Some wait. Some dispair. Some do both.
Whatever-whoever they are/I am.
Should you know better?
I do.
I know that I know not much.
You have Maths, English or Geometry.
You have playing the piano, being polite and sitting up straight.
You have pile-up books that you will read-not-so-much-understand.
You have seconds, then minutes, then hours, then days, then time, then space,
then everything else.
And you're the whole that sums up these little pieces of a messed up puzzle.
I try to make you fit.
You never belong to my puzzle - So do (not) I.
I pray that you will understand me where nobody else does.
Where nobody else tries, 'cause everybody stops by the doorway.
They seem (so) tired from a long walk towards a black-colorful wall. Their light-years...
17.5.06
15.5.06
Every time she closed her eyes she saw what could have been ~
Well nothing hurts and nothing bleeds when covers tucked in tight ~
Funny when the bottom drops how she forgets to fight... to fight ~
And it's one more day in paradise, one more day in paradise...
As darkness quickly steals the light that shined within her eyes,
She slowly swallows all her fear and soothes her mind with lies.
Well all she wants and all she needs are reasons to survive ~
A day in which the sun will take her artificial light... her light ~
And it's one more day in paradise, one more day in paradise...
8.5.06
Não me interessa a resposta.
Se souberes, não digas.
Pouco importa.
Só quero perguntar.
Porquê.
Porquê interroga sozinho, sem pontuação, sem outra coisa qualquer.
Dispenso os artifícios. Porquê passar demasiado tempo com eles?
Porquê passar o tempo sequer? Porque não parar e deixar de existir, para existir finalmente?
Talvez. Provavelmente não.
E porquê a probabilidade, os números, as letras, os sinais, o barulho, as cores, os sabores e o tacto que nunca rasga a pele?
Porquê as camadas e a nudez disfarçada de loucura ou a loucura disfarçada de conveniência?
...
Lojas de conveniência.
Sim.
O mundo.
O mundo, sim, uma loja de conveniência.
O que somos nós então?
Perguntas pela resposta?
Não.
De todo.
Lojas de conveniência.
Viagens.
Hotéis.
Sabonetes para esconder na mala.
Espectáculos para os turistas no andar de baixo.
Sonhos por concretizar no andar de cima.
Mentiras murmuradas mentalmente, na escuridão abafadora daquelas noites de Verão que só tomaram lugar na imaginação.
Ou talvez não.
Talvez te lembres delas e perguntes porquê só porque não queres saber a resposta.
***
Os teus gritos não passam de murmúrios. Nunca serás capaz de gritar suficientemente alto.
Nunca para que te ouçam.
Tens de escolher tu um fim. Porque sabes que o porquê nunca se gasta. Nem os pontos de interrogação. E quando o fim te escolher a ti,
já nada há a fazer. Tal como agora.
7.5.06
6.5.06
O que guardamos deles, guardamos para nós.
Não partilhamos com alguém porque "ninguém dá nada a ninguém". E quem quer comprar memórias alheias quando tem as suas? Talvez pudéssemos trocar as de que não gostamos por pedaços gastos de momentos que fizeram sorrir desconhecidos. Será por isso que ouvimos as suas histórias contra a (nossa?) vontade? Deixamo-nos ficar ali, inertes na nossa impaciência gritante, quietude hipócrita de quem tem tudo por fazer, mas nem sabe por onde começar.
Inverte os ponteiros do relógio. Depois descobre que "inverte" é uma palavra demasiado vulgar para o requinte dos teus pensamentos. E requinte é quase tão mau, se não pior. Apaga tudo e vai dormir. Pelo menos já escreveste qualquer coisa. E mais uma vez percebeste que o silêncio é o discurso de quem tem tudo para dizer.
5.3.06
Senti que este chão ja não tinha espaco p'ra tudo o que foge.
Não sei o motivo pra ir, só sei que não posso ficar.
Não sei o que vem a seguir... mas quero procurar.
E hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre,
Aqueles que são p'ra outro amanhã que há-de ser diferente.
3.3.06
Nenhum (deles) te olho.
Sim, eu sei que não me pediste,
mas eu desculpo-te na mesma.
Perdoo-te o que não dizes,
o que não fazes,
o que não és.
Demoro-me no que és, nas pequenas réstias de pseudo-arrependimento
de tudo o que ficou pendente,
do nada que ficou prometido.
Quebraste as promessas que não fizeste.
E eu? Eu desculpei-te.
Que mais poderia, deveria fazer?
Desculpo-te a ti
e a mim.
20.2.06
7.2.06
- Achas mesmo?
- Tenho a certeza quase dada por absoluta. Há sempre dúvidas, claro. Alguns chamam-lhe esperança, outros não lhe chamam nada. Não têm tempo para admirar a ilusão, para se apegarem a ela, para a catalogar. A realidade arrumaram-na há muito na gaveta, ainda que ela persista em escapar pela fechadura.
- Desde quando é que as gavetas têm fechaduras?
- Algumas têm. Aquelas que queremos salvar da curiosidade alheia. Pegamos numa chave pequena (ferrugenta) e trancamos os segredos lá dentro.
- Desde quando é que a realidade é segredo?
- Desde sempre. Ou acreditas mesmo que há alguma coisa dentro da gaveta?!
- Porque haverias de a querer fechar se estivesse vazia?
- Para me convencer de que não está, de facto.
- E é provável que não esteja.
- Tão provável como o teu inevitável e obrigatório contentamento.
- Certamente não o contentamento de quem dá pulos de alegria dentro de uma gaveta vazia.
- Não. Acho que é mais aquele contentamento de quem não pode esperar mais nem melhor. De quem está farto de esperar e percebe que não ganha muito com isso.
- Ganha tanto em esperar quanto em deixar de o fazer. Desde quando é que desistir se tornou a tua opção?
- Não é uma opção. Não há opção. Por isso é que o contentamento é inevitável, obrigatório.
- Ninguém me vai obrigar a não esperar.
- Nesse caso, tu és ninguém.
- Eu não me vou obrigar a isso. Obrigo-me todos os dias ao contrário, por vezes ao contrário do contrário, mas o que interessa realmente no meio de todas as obrigações é que a espera, gaveta cheia ou vazia, é o fundamento de seguir em frente impacientemente. Sempre a olhar para trás. À espera. Quando segues em frente, estás na verdade a percorrer quilómetros sem sair do mesmo lugar. Porque não esperar? Esperar distraidamente, numa pretensa correria rumo ao que vem ter connosco.
- Desculpa, mas não te cedo a minha concordância.
- Não faz mal. Para esperar (ou andar) basta-me a minha.
5.2.06
3.2.06
Diz que não faz mal se eu não acordar amanhã à hora dos desenhos animados, pegar na taça com ovelhas desenhadas no fundo - mas que interessam os desenhos no fundo se o leite e os cereais ficam sempre por cima? Às vezes é engraçado ver os contornos a aproximarem-se à medida que o leite se esgota... deve ser uma espécie de consolação. A imaginação supera a fome, mas só quando a fome já não existe. Não, não tenho fome de ti. Blerg... não sou canibal! Ahh, em sentido figurado... não, também não. Até tinha fome das tuas palavras, mas elas aterram sempre tão pesadas, tão frias, tão secas.
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